domingo, 13 de outubro de 2013

Dias de Inverno

Dias de Inverno

Ao cair da folha
pingos de chuva saltitam
em dias invernosos    frios    tristes
Carros deslizam por tempestades
sobre lamas em estradas esburacadas

Choques se verificam
Discussões
poluem o meio ambiente
já de si poluído
O amanhecer de uma cidade
triste    fria    invernosa

Agasalhados passeiam de carro
de autocarro e a pé
o gelo sente-se nos ossos
de quem passa e corre
para compromissos
donde depende uma certa
independência
um certo conforto
um certo sorriso

Mas impávido  sereno
lá vai o ciclista da minha rua

Pedalada aqui pedalada ali
indiferente às bichas
de carros e autocarros
indiferente ao frio e à chuva
indiferente a todos
Para ele a Primavera
dura todo o ano.

Pedro Valdoy



A Jsnela

A Janela

A janela do meu amor
é como um cato
que parte o vidro
do meu coração

O telhado
é como uma rosa
de um jardim
com meu corpo
cansado
de uma falsa vida

O quarto é um atordoar
de sentimentos
que me rodeiam
através dos tempos
inseparáveis.

Pedro Valdoy

sábado, 12 de outubro de 2013

Eu Sou

Eu Sou

Eu sou 
a sombra que arde
no teu coração
embalado pela tua ternura

Sou nuvem
que passa à tua porta
com a paixão que me atormenta
e tu ficaste indiferente

Pairam
beijos de paixão
que tu finges
não os querer

Andam faunos
nos bosques
a chamar pela minha amada
perdida na neblina do vento

Continuarei 
com a minha solidão
devido à tua ausência
à tua indiferença

A eternidade
deambula pelas ruas
ao som de um Mozart
por mim relembrado

Quando vieres
se vieres
já eu te esqueci
e procurarei uma princesa

Que afagará minha paixão
e tu ficarás perdida no firmamento
como uma estrela sem luz
e então chorarás.

Pedro Valdoy

Sou Barqueiro

Sou barqueiro

Sou o barqueiro
do amor
deslizo pelas margens
de um lado a outro

Sinto os remos
beijados pelas gaivotas
que dançam sem cessar
com piares suaves

Basta um chamamento
e os namorados
entram sorridentes
talvez desconfiados

Os beijos sucedem-se
a cada remada
e o Sol resplandecente
sorri com malícia

Os golfinhos
brincam à minha volta
e os namorados
continuam cobertos de amor

Chegados ao destino
abraçadinhos vão
e esquecem-se da gorjeta
para alimentar meus sonhos.

Pedro Valdoy

Doce Melodia

Doce Melodia

Doce suave melodia
no dardejar do piano
sons maviosos
se estendem pela atmosfera
na pureza da sala
na limpidez do disco

Meu corpo sente os sons
na imensidão do espaço
na concepção paradisíaca
no imaginário jardim
onde o relógio passa
pela lentidão da melodia.

Pedro Valdoy

Brisas

Brisas

São brisas de vento
Ao sabor de um amor
Aquecido pelas areias
Do mar irrequieto

São folhas soltas
No alerta ventoso
Por ruas esquecidas
Na serenidade do meu ser

O vento é cruel
No derrube de instituições
Quebradas pela tradição
Em tempos de verão.

São tempestades
Agoirentas e sequiosas
No derrube de árvores
Pelos tempos fora.

Pedro Valdoy

Outono da Vida

Outono da Vida

Já estou no Outono da vida
Meu coração cintila
com esta estação maravilhosa
que chegou a Portugal

As folhas caem sorrateiramente
ao sabor do vento
Amarelas   douradas    prateadas
entram em meus sonhos

As crianças com suas mochilas
na esperança de uma Primavera renovada
conhecem novos amigos
criam-se amizades eternas

É o dealbar de novas vidas
em ciclos de esperanças 
cobertos de sonhos
vadios   cheios de sementes

O trabalho recria-se
renova-se
para o futuro de um país
de um povo.

Pedro Valdoy

Fragilidade

Fragilidade

A semente derrete
uma doce lágrima
na fragilidade da terra

Ao luar desenvolve-se
na pachorra das horas
no badalar de um relógio

Furtivamente cresce
na vergonha insondável
dos homens gananciosos

Pelo jardim as pétalas
adormecem no silêncio
do cauteloso jardineiro

Mas a semente rebenta
por semanas imorredoiras
nas trevas infinitas.

Pedro Valdoy

Buscando a Paz

Buscando a Paz

Ando sereno em paz
numa evolução possível
mas inacessível à guerra
coberta de sofrimento

Pela aragem da paz
correm ventos de luz
com o sorriso das crianças
com a esperança de um povo

As areias movem-se 
com o vento da paz
com o chilrear das avezitas
com a ingenuidade de uma criança…

Pedro Valdoy

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Delírio

Delírio

No delírio do amor
a sonata esvai-se
na penumbra de um Sol
esquecido pela tempestade

São lágrimas de miosótis
na queda lenta
quando a sonata
é ao luar meio apagado

É um piano solitário
por trevas na rapidez
suave de mãos firmes
em lanças de ternura

O ser torna-se
esquecido pela melodia
na suavidade do pianista
por terras de Beethoven.

Pedro Valdoy


sábado, 5 de outubro de 2013

A Estrada

A Estrada

Por caminhos e desvios
soam meus passos
por uma rua estreita
quando te conheci

Sinuosa e bravia
era a estrada
coberta de duas vidas
quando se encontraram

Hoje a estrada é longa
larga   apetitosa
recheada de teus seios
quando o amor é eterno

A velocidade é lenta
quando caminhamos
como dois namorados
esquecidos do tempo.

Pedro Valdoy

Florzinha

Florzinha

As nuvens dançavam
Ao sabor do vento
Numa oscilação irrequieta
Mas a minha florzinha crescia

Pelos jardins da minha infância
Sentia o fervor das crianças
Sorridentes saltitantes
Mas a minha florzinha crescia

São resquícios de uma humanidade
Na tranquilidade coberta de suavidade
Por entre a floresta dos sonhos
Mas a minha florzinha crescia

Por entre o matagal
Os botões floresciam
Por entre a serenidade do vento
Sentia o milagre da florzinha

Num abrir vertiginoso
As pétalas sorriram
Num abrir coberto de surpresas
À espera das atrevidas abelhas

No silêncio da noite
Meu pensar incerto
Entre uma sinfonia de Mahler
Sentia o sorriso daquela florzinha.

Pedro Valdoy


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Poema Etéreo

Poema etéreo

Em bares sentados no encosto do vácuo
uma garrafa dançava com murmúrios
na franqueza incerta perdida
por fragmentos multicores

Enquanto uma princesa na ternura dos tempos
meio ébria indecisa mamava na garrafa
com olhares lânguidos curiosos
estremecia seu coração indeciso

Meio ébrios solitários dançavam
a conga meio embevecida
com paixões estimuladas por sentimentos

Mas a noite das paixões sem glórias
destinava-se a memórias passadas
no encanto dos sons meio alcoolizados.

Pedro Valdoy

Deixa Acontecer

Deixa Acontecer

Na vida falar de amor eterno
coisas que nossos corações sofrem
com a carícia da suavidade do vento
e sentir o brilho dos teus olhos

Com o brilho da sedução apaixonada
onde o horizonte desperta para a sensualidade
com o acordar do Sol na ponta do horizonte
e sentir o perfume do teu corpo

Meus sentimentos despertam com a tua presença
no ninho de uma grande paixão
no jardim da magia do amor
rodeado com a tua presença

Como num paraíso celestial
coberto de beijos sensuais
na delícia da tua presença
como nos velhos tempos...

Pedro Valdoy

A Palavra

A Palavra

Meço a palavra
na folhagem lírica
de um poema perdido

A sonância das sílabas
percorrem lírios no campo
da florista do meu bairro

Letra a letra
se constrói poesia
no mero acaso da sabedoria

São lágrimas no papel
na esperança infantil
de um poeta sibilino

As palavras
são corças a correr
por rios do amor

Num desfiar incógnito
é a travessa escorregadia
num monte de consoantes.

Pedro Valdoy

Colombina

Colombina

Colombina a princesa da neve
com seus beijos de mel
com sua beleza de uma flor
passeava por entre as nuvens
à procura de um amor sério
na eternidade de um adeus
no passado das ondas do céu

O seu sorriso cobria-se
com um manto de luz
coberto de jasmins
no meio dos bosques
por entre os duendes
que a protegiam na aragem
do silêncio  passado.


Pedro Valdoy