terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O Pardalito

O Pardalito

O pardalito
acordou ao nascer do Sol
com o canto das nuvens
num simples ramo
de uma árvore frondosa

Saltitava de alegria
de ramo em ramo
de árvore em árvore
a felicidade sentia-se

A brandura dos costumes
faziam-no voar
O pardalito sorria
em busca de comer

Ia ao milharal
e deliciava-se
com as sementinhas
num gozo infantil

Mas...
um tiro furtivo
acabou o seu piar alegre

Uma criança
debruçou-se sobre ele
e chorou chorou.

Pedro Valdoy

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A Fantochada

A Fantochada

Aí vem gente a cantar
a rabaldaria começou
tudo é possível nos possíveis
a tradição vale mais que as leis
é assim mesmo urra
matem-se touros vacas ou bezerros
na via pública
coma-se à fartazana

Somos um povo de tradições
pois então...
se há muitos anos se fazem roubos
então é tradição   roube-se

A ditadura existiu muitos anos
sofrimentos que importa?
É tradição promulgue-se

Viva a ditadura os roubos
a matança seja do que for
é tradição não precisa ser
homologado e pronto

Acabe-se com a Assembleia
com os deputados
e outros que tais
abaixo as leis
viva a anarquia
numa democracia de bolor.

Pedro Valdoy

O Meu Poema

O Meu Poema 

O meu poema
recheará o mundo
coberto de lírios
de rosas   de crisântemos

As aves entoarão
cânticos maviosos
espalhando a palavra
pelo mundo

O meu poema
saltitará das ondas
de um oceano sereno
com golfinhos brincalhões

A Paz ressurgirá
com ecos de amor
pelas planícies serenas
cobertas de verduras

O meu poema
espalhará pétalas
pelo infinito
de um calvário esquecido

Então as crianças
saltarão à corda
ou dançarão nos balouços
com uma ternura inolvidável.

Pedro Valdoy


O Beijo

O Beijo

O congresso do beijo
começou intrépido
por ruas de lábios
flamejantes  indolores

A pureza estagnava
na vergonha atrevida
de seres sequiosos
no silêncio da calçada

A força do prazer
esvaía-se incolor
na travessa da cidade
pelo longo horizonte

O falatório brilhava
de palavra em palavra
de conselho intrépido
no volante da vida.

Pedro Valdoy

domingo, 13 de outubro de 2013

Dias de Inverno

Dias de Inverno

Ao cair da folha
pingos de chuva saltitam
em dias invernosos    frios    tristes
Carros deslizam por tempestades
sobre lamas em estradas esburacadas

Choques se verificam
Discussões
poluem o meio ambiente
já de si poluído
O amanhecer de uma cidade
triste    fria    invernosa

Agasalhados passeiam de carro
de autocarro e a pé
o gelo sente-se nos ossos
de quem passa e corre
para compromissos
donde depende uma certa
independência
um certo conforto
um certo sorriso

Mas impávido  sereno
lá vai o ciclista da minha rua

Pedalada aqui pedalada ali
indiferente às bichas
de carros e autocarros
indiferente ao frio e à chuva
indiferente a todos
Para ele a Primavera
dura todo o ano.

Pedro Valdoy



A Jsnela

A Janela

A janela do meu amor
é como um cato
que parte o vidro
do meu coração

O telhado
é como uma rosa
de um jardim
com meu corpo
cansado
de uma falsa vida

O quarto é um atordoar
de sentimentos
que me rodeiam
através dos tempos
inseparáveis.

Pedro Valdoy

sábado, 12 de outubro de 2013

Eu Sou

Eu Sou

Eu sou 
a sombra que arde
no teu coração
embalado pela tua ternura

Sou nuvem
que passa à tua porta
com a paixão que me atormenta
e tu ficaste indiferente

Pairam
beijos de paixão
que tu finges
não os querer

Andam faunos
nos bosques
a chamar pela minha amada
perdida na neblina do vento

Continuarei 
com a minha solidão
devido à tua ausência
à tua indiferença

A eternidade
deambula pelas ruas
ao som de um Mozart
por mim relembrado

Quando vieres
se vieres
já eu te esqueci
e procurarei uma princesa

Que afagará minha paixão
e tu ficarás perdida no firmamento
como uma estrela sem luz
e então chorarás.

Pedro Valdoy